É engraçado quando a gente fala de modernização do sistema legado, muita gente pensa que a gente só mexe com tecnologia antiga, com coisas que já estão obsoletas, etc. Mas acho que a gente tem muita coisa para conversar. Fazer uma modernização do sistema legado é basicamente um mar de oportunidades. Você não tem uma coisa tão simples para fazer. Então, durante a apresentação, vocês vão ver que eu vou conversar bastante sobre as coisas que eu passei, as situações que eu passei e como que eu aprendi com elas e como eu fiz diferente ao longo desses anos. Eu já fiz modernização de mais de cinco sistemas, que, querendo ou não, a gente está falando aqui de uns sete anos de projeto, sete anos de trabalho, só fazendo modernização do sistema, então é bastante coisa, acho que dá para a gente trocar bastante, eu não sei de tudo, óbvio que não, mas pelo menos eu sei algumas coisas que não vão dar certo e algumas coisas que deram um pouco mais certo para a gente ir compartilhando por aqui. Antes de sair falando de sistema legado, vamos falar o que é legado, né? Eu sempre quis falar isso, né? Vocês sabem do legado, quando a gente fala de sistema legado, de onde vem essa palavra? Qual a origem dessa palavra? É legal a gente pensar que quando você olha uma ideia de sistema legado, ele tem a ideia de trazer uma história do que já foi construído e o que isso pode trazer para a gente, um impacto duradouro. Até coloquei aqui para fazer a cortela, vendo o detalhe da palavra, é um impacto duradouro na história da vida das pessoas. Então, é algo que gerou este impacto. Quando você olha isso dentro da tecnologia, ele se traduz da mesma forma, tá? Então, quando eu vou falar de um sistema legado dentro da tecnologia, não é nada mais do que algo que foi criado há algum tempo atrás e que conseguiu gerar valor por algum tempo e teve uma história gerada dentro da tecnologia. Quando a gente olha para grandes bancos, eles foram criados há muito tempo, eles foram pioneiros, e muitos desses sistemas deram muito dinheiro e cuidaram das nossas contas durante muito tempo. Então, são sistemas extremamente parrudos, com muitas regras, sistemas muito grandes, e que seguraram a bronca por muito tempo. E por que a gente, do nada, olhou para esses caras e falou, pô, legal, se eles são tão bons, se eles seguram tanto a bronca, por que a gente vai mexer neles, né? Porque o time que está ganhando a gente não mexe. Brincadeira, na minha opinião a gente tem sempre que estar mexendo, sempre que está evoluindo. Mas por quê? Por que eu vou pegar o dinheiro da minha empresa e começar a investi-lo em uma coisa que já estava dando certo. O que acontece? Tem um determinado momento que a maior parte das empresas começa a perder um pouco de mercado por tempo de resposta. Tempo de resposta, não estou falando de tempo de resposta de uma aplicação, mas é tempo de resposta de um movimento que está acontecendo. Então imagina que todo mundo está indo para a blockchain, e se meu sistema é muito antigo, como eu faço para mexer com isso? Como eu faço para propor soluções que pensem nisso. Quando a gente fala dos sistemas mais antigos, eles tinham muita ideia de processamento batch, os processamentos rodavam de um dia para o outro, a gente tinha essa pegada de conseguir esperar, né. Antigamente, se você parasse para olhar, a gente não tinha tanto uma esse nosso dia a dia de estar com urgência, o tempo todo com urgência, o tempo todo querendo as coisas saindo. Então, a gente esperava, né? Eu esperava para ver se a minha conta mudou de saldo de um dia para o outro. Eu esperava para ver se o pagamento que eu fiz hoje do meu boleto vai refletir daqui a três dias. Se o meu empréstimo imobiliário que eu paguei, ele teve seu abatimento. Eu esperava 15 dias para ver se tinha abatido. Hoje em dia a gente não tem mais isso, hoje em dia a gente pensa em experiências mais rápidas, hoje em dia a gente tem que trazer as experiências cada vez mais rápidas para a mão do cliente. Então, a primeira coisa é, os sistemas começam a atender o propósito, lógico, vê o saldo da sua conta de um dia para o outro, você consegue atender ao propósito. Mas será que eles estão fazendo isso da melhor forma? Será que eles estão trazendo a melhor experiência? Ali embaixo também, quando a gente vai falar de experiência, os sistemas legados, eles trazem uma experiência um pouco mais lenta, um pouco mais difícil, com menos personalização e acho que também traz uma visão adicional que dificilmente acontecia dentro do banco, porque bancos normalmente estão acabados de segurança extremamente complexa ali, extremamente difícil de ser passada, mas também tem uma visão de segurança. Quando a gente olha para os sistemas, igual o Wesley comentou aqui no começo, o sistema em COBOL é extremamente difícil, se não falar, impossível de ser invadido, porque ele está rodando em uma máquina da IBM que a gente não tem nem acesso, não tem nem conectividade, então era muito difícil de fazer alguma inclusão lá, diferente do que a gente fala de sistemas distribuídos então, mas ainda assim a gente tem que olhar para a camada de segurança quando a gente fala de sistemas legados que estão, sei lá, em VB6 e sistemas legados em algumas empresas que estão rodando em tecnologias extremamente velhas, extremamente antigas e que trazem um problema de segurança também. Quando a gente olha para hoje, como a gente está ficando com muito mais facilidade, muito mais arcabouço para fazer cyber ataque. É uma coisa que a gente também tem que tomar cuidado. Então, basicamente, gente, quando a gente fala de sistema ligado, é disso que a gente está falando. A gente está falando de um sistema que consegue resolver os nossos problemas de certa forma, mas não é o melhor sistema para o nosso negócio, não é o melhor sistema para o nosso cliente. Então, sempre é bom a gente dar uma olhada para a gente não deixar o nosso sistema envelhecer e ser aquele velho de guerra que está lá segurando a bronca, mas que podia estar um pouco melhor. Para falar de sistema legado, a gente precisa falar um pouco de monolito. Monolito é outra palavra bastante usada quando a gente está falando de sistemas mais antigos. Antigamente, diferente do que o Wesley tem ensinado para vocês aí, da gente quebrar os contextos, quebrar as visões de microserviços, etc. Antigamente, o que a gente fazia basicamente era criar um sistema e ir incluindo funções dele. Então, putz, era muito comum você ver um programa, um programa gigantesco, com várias linhas de código, 40 mil linhas de código e com várias funcionalidades dentro dele. Então quando você olha aqui o monolito, eu criei um exemplozinho aqui, imagina que você tem lá uma, começou um banco, você vai começar a vender empréstimo, e para vender empréstimo você tem a parte de criar um empréstimo ali, de criar as parcelas, de criar o ID do empréstimo, colocar quem foi que contratou aquele empréstimo, quando contratou, etc. Isso era colocado no mesmo lugar do que o cálculo da parcela. Calcular a parcela, quebrar ela em 12, 15, 20, 30 vezes, estava no mesmo bololô aqui, no mesmo lugar e fazer o recebimento dessa parcela muitas vezes também, aparecia dentro do mesmo programa, o mesmo carinha mesmo. E depois disso você tem que contabilizar. Alguém foi lá e pagou uma parcela, eu preciso mandar essa contabilização para frente, para a gente fechar o caixa da empresa, para, no caso de bancos ainda, falar com o banco central, mandar relatórios, etc. Muitos dos sistemas tinham tudo isso dentro de uma peça só, de um programa só. A gente está falando aqui bem isso, de 40 mil linhas de código. E para você mexer nisso, é extremamente complexo. Cada vez que chegava uma demanda, putz, chega alguém e fala, quero mudar aqui o cálculo de parcela. Você ia lá, mexia no cálculo de parcela e quebrava o recebimento. Você mexia na parte de criação de prédio e derrubava a contabilização. Traz vários problemas, várias dificuldades trabalhar com sistemas monolíticos. Mas, vamos ser bem honestos, lá atrás a gente não pensava muito nisso, a gente só queria entregar a função, a gente não tinha tanto cultura de engenharia, de arquitetura de software tão bem desenhada, então era basicamente fazer funcionar. Vamos fazer funcionar e vamos em frente. Com a mudança do cenário, tanto do cenário de social, que a gente fala que é essa mudança de contexto das pessoas quererem consumir as coisas mais rápido quanto a entrada de novos players ali dentro do mercado. Putz, antigamente você tinha dois, três bancos, você tinha alguns concorrentes, hoje em dia é um boom, né? Com o advento ainda pior, quando vem a cloud trazendo uma facilidade de subir novas coisas, de criar do zero coisas e com menos valor, né? Você consegue criar ali um sistema pra brigar com qualquer cara grande hoje com pouco investimento porque você consegue rampar isso com uma AWS, com uma Azure, muito rápido e muito barato com tudo isso não dá mais pra você ter quem segura o seu business aqui sendo um cara que está totalmente acoplado, que a gente fala, todo emaranhado e com difícil manutenção e difícil você lançar coisas novas. É bem isso. Se o cara vai lá e lança uma forma diferente de recebimento, puta, vamos começar a receber com Pix. Eu vou ter que mexer nesse monolito e eu posso derrubar o recebimento por cartão de crédito, que não tinha nada a ver com PIX. Então, muitas coisas tiveram que mudar ao longo desse tempo. Acho que há uns oito anos atrás eu comecei a entender que esse desenho aqui tinha que mudar. Dentro das empresas que eu trabalhei, a gente discutiu muito isso e teve muito aprendizado em cima.