Para contribuir com a sua atividade, com o exercício da vestimenta, eu vou dar um exemplo meu, ok? Eu cheguei a comentar sobre essa questão das roupas pretas, que acaba comunicando alguma coisa. Não tem como dizer que não está comunicando alguma coisa. E aí, nesse momento, sem dúvida, a gente tem que levar em consideração os preconceitos, os estereótipos, o que as pessoas acham, tá? O que é um senso comum na sociedade ou dentro da micro sociedade do ambiente, do contexto que eu estou inserida. Um ponto importante, antes de eu trazer o meu exemplo, é que tudo aquilo que nós estamos comunicando, isso vai variar. Então, por exemplo, se eu estou vestida da forma que eu estou vestida aqui, por exemplo, e eu vou em um escritório de advocacia ou num evento da OAB. Ou eu tento entrar no fórum. Eu não consigo entrar no fórum. Eu preciso estar a caráter. Um advogado precisa para um ambiente judicial, um momento que está diante do juiz, ele precisa estar com uma certa vestimenta específica. Existe um padrão a ser aceito. Agora, se ele for vestido dessa mesma maneira na praia, faz sentido? Talvez não faça sentido. Eu já fui de social, bota, calça jeans, camisa social e chapéu na praia. Nós estávamos num evento e a gente deu uma passadinha, se não me engano foi no Rio de Janeiro, a gente deu uma passada ali na praia e eu fui do jeito que eu estava mesmo, porque era isso ou não ir, né? Então eu fui ali, andei pela areia e todo mundo olhando pra mim. Por quê? Porque naquele contexto não fazia sentido a minha vestimenta. porque naquele contexto não fazia sentido a minha vestimenta. Então, eu costumo dizer que existem três parâmetros para a gente conseguir definir como nós vamos comunicar algo, seja vestimenta ou qualquer um dos outros itens que eu vou trazer para vocês. Então, depende do contexto que eu estou inserida, como eu falei essa questão da roupa social, ou de eu ir vestida desse jeito num ambiente mais formal, eu vou num jantar de gala vestida dessa forma, eu posso ir. Eu posso ir. Eu posso tomar essa decisão. Eu posso, numa entrevista de emprego, de uma empresa bem burocrática, que as pessoas usam camisa social e gravata, eu posso ir de bermuda? Eu posso? Eu camisa social e gravata, eu posso ir de bermuda? Eu posso? Eu posso, sem dúvida que eu posso. Eu costumo dizer que na comunicação não tem certo e errado, tem adequado e não adequado. Agora, adequado ao quê? Adequado ao contexto. Às vezes o contexto pede uma determinada vestimenta, o contexto pede um determinado comportamento, uma determinada forma de se comunicar. Agora, o contexto não é tudo, porque às vezes nós vamos vestido assim, num contexto mais formal, de maneira intencional. Intencional ao quê? À nossa intenção. Então eu tenho um contexto, mas eu não olho apenas para o contexto, eu olho para a minha intenção. Às vezes uma pessoa vai com uma roupa assim, por quê? Porque ela quer mostrar mesmo que ela está quebrando paradigmas, que ela quer quebrar as regras, etc. Talvez ela quer passar a imagem da rebelde e tudo mais. Então, o contexto, ela tem compreensão do que é o contexto, mas a intenção dela é oposta ao contexto. E por último, mas não menos importante, o contexto é importante, a intenção é importante, por último, a audiência. Com quem eu estou falando, às vezes um contexto é um contexto de gala mas eu quero ir ao contrário daquele ambiente de gala, mais formal mais clássico, mais elegante só que as pessoas que estão lá são todas minhas amigas, elas vão super entender que eu quero ir vestida desse jeito mesmo tá? Ah, vai ter uma festa da empresa com o CEO da empresa. Então o contexto, um ambiente que talvez teoricamente na cabeça de algumas pessoas, nossa, o CEO vai estar lá. Peraí, mas qual que é o seu nível de relação e intimidade com esse CEO? Dependendo do nível de relação e intimidade da cultura da empresa, você não precisará ir de uma maneira tão formal ou nada formal. Tudo bem, então depende do contexto que eu estou inserida, mas não apenas do contexto. Depende da minha intenção e depende da audiência que eu tenho. Até costumo dizer que o nosso filtro se chama CIA, Contexto, Intenção e Audiência. Mais um exemplo aqui para poder facilitar para vocês esse processo. É a questão da vestimenta novamente. Quando eu vou fazer uma palestra, eu sempre pergunto muito bem, ou um treinamento corporativo, qual é o contexto e qual é a audiência. Por quê? Porque a minha intenção é uma decisão minha. Mas o contexto e a audiência é algo pré-definido. E às vezes não tem essa informação às vezes, ah não, é um evento de tecnologia, tá, mas pra quem? é pra pessoas técnicas? é pra pessoas não técnicas? é pra empreendedores? então eu fui palestrar no evento do CASE, da B Startups um evento para empreendedores, tinham pessoas tecnológicas? tinham, tinham e eu tinha uma certa noção de que as pessoas iam vestidas de maneira mais despojada. Mas a minha intenção, ela pode me levar a ir diferente do contexto. Ah, eu quero passar mais autoridade. Eu tenho que ir de maneira mais formal? Não sei. Será que na cabeça das pessoas que estão lá, se eu vestir de maneira mais informal, eu vou passar mais autoridade? Não sei. Dependendo do contexto, da audiência, eu posso conseguir passar mais autoridade se eu estiver de maneira mais formal. Só com uma camisa. Não precisa estar com um terno, não precisa estar com uma gravata. Tudo bem. E tem gente que passa super autoridade de camiseta e bermuda. Por quê? Porque depende do contexto, depende da audiência, como é a cabecinha dessa audiência, como eles vão interpretar os sinais. Então não é apenas os sinais que eu emito, mas como vão interpretar os sinais que eu estou passando. Tudo bem? Então esses são alguns exemplos em relação à vestimenta, que depende muito do contexto, da minha intenção e da audiência. E eu trouxe alguns exemplos meus, desde a roupa aqui, por exemplo, eu escolhi essa roupa para poder falar com vocês. Uma roupa um pouco mais confortável, uma roupa que não é social, uma roupa mais informal. Por quê? Porque eu estou aqui buscando estabelecer um diálogo com vocês. Então, isso foi intencional. E todas as outras roupas que eu separei para poder estar aqui conversando com vocês, também tem um nível de intencionalidade. É óbvio que chega um determinado momento onde essa intencionalidade não é tão explícita. Às vezes a gente vai pegar uma roupa... Quero contar algum exemplo. Quando eu comecei na minha carreira como programadora, eu ia muito em eventos de tecnologia. Eu já fui mais de... Eu organizei três conferências e mais de cem meetups, mas eu ia muito em DevFest, em Frontin, eu fui em tudo quanto é tipo de evento de tecnologia, de programação e muitos eventos dão camisetas de evento. E teve uma época na minha vida onde eu só usava camiseta de evento então eu comecei e eu tenho um amigo que falou a mesma coisa pra mim nossa eu fui chamado pra ir num casamento e eu não tinha roupa para ir no casamento, eu tive que comprar uma camisa pra ir no casamento porque eu só tinha camiseta de evento então no meu caso eu comecei a perceber que o fato de eu só ter camiseta de evento me limitava à minha intenção, ao contexto, à intenção e à audiência. Acabava me limitando, então eu precisei comprar algumas roupas para que eu pudesse não estar limitada apenas às camisetas de evento. Porque ir com camiseta de evento comunica algo. Não algo errado ou algo certo. É algo que pode ser adequado ou não adequado ao contexto, à minha intenção e à audiência. Então, eu passei por essa situação na minha vida, talvez seja a situação de algumas outras pessoas também, talvez você que está ouvindo, mas é só para exemplificar que eu comunicava algo e eu comecei a perceber que, olha, pera, aqui nesse contexto usar camiseta de evento não vai estar adequado àquilo que eu quero comunicar. Tá? Então eu passei por essa situação, precisei dar uma repaginadinha, tenho mais de 80 camisetas de evento até hoje e utilizo elas de vez em quando, mas eu não utilizo só camiseta de evento como eu fazia no começo da minha carreira. Beleza? Então exemplificado. Na próxima aula a gente vai ver algum outro aspecto. Que nós precisamos julgar e entender o que nós estamos comunicando. Até já.