Olá, pessoal, tudo bem? Hoje, com muito prazer aqui, a gente vai ter uma palestra muito bacana e eu acho que vai fazer muito sentido para todos nós que trabalhamos aí no mercado de TI. Hoje a gente vai falar com o professor, doutor Clóvis Barros Filho. Sou um grande fã e eu acredito que muitas pessoas que estão assistindo aqui esse vídeo também o conhecem e eu acredito que todos nós que trabalhamos nessa área de TI, a gente precisa, de alguma forma, ter um senso maior de profissionalismo, de liderança, entender as consequências que a gente faz, que a gente acaba gerando na ponta para as pessoas e até mesmo para os nossos liderados. Então, eu vou chamar aqui para a gente o professor Clóvis e eu não tenho dúvidas que vai ser um bate-papo, uma apresentação mais do que enriquecedora para todo mundo. Então, vamos lá. mais do que enriquecedora para todo mundo. Então, vamos lá. Olá, pessoal. Boa noite. Espero que estejam me vendo bem, me ouvindo bem. Muito feliz aqui de estar com vocês. Eu queria falar um pouco sobre os valores da vida e o quanto há na hora de viver uma questão importante que é a nossa capacidade de escolha, de deliberação, de definição e a nossa imensa responsabilidade por isso. Então, eu começaria, na hora de falar das coisas boas da vida, daquilo que a vida tem de bom, de positivo, de propriamente humano, de valioso, de importante, eu acho que nós não podemos abrir mão de falar daquilo que é o mais imediatamente bom na nossa vida, o mais fácil de entender, o que está mais na mão, que é o prazer. Todos nós devemos entender o prazer como um conjunto de sensações agradáveis e que tornam a vida melhor, mais auspiciosa, e, portanto, a busca do prazer é uma busca legítima. E o prazer, embora seja obviamente positivo, ele é bastante sabotado na sociedade, sobretudo naquilo que é o nosso processo de formação e de educação. Você, com certeza, passou pela escola e ficou anos e anos estudando e provavelmente aprendeu um milhão de coisas, mas talvez não tenha tido uma aula sequer sobre o prazer. Então, eu acho que um minuto sobre o prazer é incrivelmente importante e fundamental, muito embora saibamos que não é muito comum, na hora de falar de questões de trabalho, trazer o prazer assim de maneira tão introdutória e tão expeditiva para a reflexão. De qualquer maneira, é importante que haja prazer sob pena da vida se tornar mesmo mais difícil de ser vivida, mais complicada e às vezes até insuportável. Então, nós poderíamos dizer que a filosofia sempre dividiu o prazer em duas categorias, o prazer do corpo, que é um prazer de saciedade, um prazer de atrito, um prazer, portanto, de sensações de mucosa, corpóreas mesmo, e os prazeres do espírito. Os prazeres do espírito são os prazeres que dependem do uso da inteligência, do uso da razão, do uso da intuição, da sagacidade, do pensamento para acontecerem. Então, se quando você degusta uma feijoada você tem claramente um prazer do corpo, quando você lê um livro de Machado de Assis você tem claramente um prazer do espírito. Mas falei do livro de Machado de Assis, mas se há algum prazer em acompanhar uma boa aula, uma boa palestra, esse prazer é um prazer do espírito. Não há aqui nenhuma satisfação, saciedade, nem atrito. O que há é pensamento e pensamento que traz sensação boa, que traz gratificação. Então, fica claro que enquanto o prazer do corpo não requer muita formação, o prazer do espírito cobra um enorme investimento, porque você alcançar prazer com as coisas do espírito exige repertório, exige hábito, exige familiaridade com aquela atividade, a literatura, a poesia, a música, as belas artes em geral, a pintura, não é todo mundo que consegue ter prazer com o que é mais elevado do ponto de vista espiritual. E isso é, obviamente, aportador de uma vida boa, de uma vida melhor. Se você consegue ter prazer com o que é espiritualmente elevado, a sua vida tende a ser superior. Se você consegue ter prazer com a leitura de um livro e consegue ter tempo para ler os livros, etc., é claro que a sua vida é uma vida mais prazerosa, mais elevada, mais interessante de ser vivida. E isso precisa ser dito. Precisa ser dito. É claro que os prazeres do corpo sempre foram entendidos como inferiores. Primeiro porque eles precisam de uma certa castidade anterior, ou seja, é preciso de um pouco de fome para ter prazer na hora de comer, de um pouco de sede para ter prazer na hora de beber. Os prazeres do corpo também, além dessa castidade, eles têm uma duração muito efêmera, eles são mesmo efêmeros, eles são de duração curta. E os prazeres do corpo, além do mais, eles são pouco sustentáveis, ou seja, para você ter o mesmo prazer amanhã, precisa de um estímulo maior. O pessoal que estuda entorpecentes diz isso com muita clareza. Então, os prazeres do corpo, eles são interessantes, eles são importantes, mas por si só não são garantidores de uma vida boa. Os prazeres do espírito são superiores por quê? Primeiro porque eles não precisam de nenhuma castidade anterior. Você não precisa ficar um mês sem ler para ter prazer com a leitura. Pelo contrário. Depois, os prazeres do Espírito têm uma duração muito maior. Uma leitura de um Graciliano Ramos pode te entreter pelo mês inteiro, por dois meses. E depois eles não comprometem a sustentabilidade. Você pode se esbaldar na leitura e isso não vai impedir de você ter o mesmo prazer amanhã. Então, os prazeres do Espírito são superiores, é importante que a vida possa contemplá-los e é importante, e aqui vem o aspecto fundamental, é importante que o seu trabalho te seja prazeroso. E é claro, como você trabalha no segmento que trabalha, é claro que quando falamos de prazer no trabalho, estamos falando de prazer do espírito, de prazer do uso da inteligência, de prazer do uso da sagacidade, da astúcia, da intelectualidade, de uma maneira geral. E isso é muito relevante. É muito relevante. Se, porventura, você vai perdendo o prazer de fazer as coisas que faz no seu trabalho, isso é a pequena dor da vida, é rebaixador da vida. É importante, portanto, zelar pela proteção do prazer do espírito no exercício profissional. Então, a título de exemplo, eu estou dando aqui essa aula, essa palestra para vocês e existe da minha parte um empenho, um esforço, no sentido de encadear as ideias, de propor algumas noções que me parecem importantes, e isso me traz um imenso prazer de fazer bem aquilo que estou fazendo. Então, é importante não abrirmos mão da possibilidade desse prazer do espírito no exercício do trabalho. Muito bem, esse então é o primeiro ponto, eu diria o primeiro valor, o valor do primeiro degrau, o valor mais fácil de perceber. A vida é boa porque ela pode ser prazerosa. Eu vou subir um degrau e eu vou trabalhar com um segundo valor. E esse segundo valor são recursos de natureza, recursos de natureza que todos nós temos. A nossa natureza nos propicia certas facilidades nas atividades em geral. A nossa natureza nos facilita certos procedimentos e não facilita outros procedimentos. E essas facilidades são chamadas de talentos. Todos nós costumamos achar que talento é coisa de gente genial, extraordinária, Leonel Messi, Pablo Picasso, etc. Sei lá, Fernanda Montenegro, gente completamente fora da curva. Não, esses têm muito talento, mas todos nós temos talento, ou seja, temos facilidades e dificuldades. As facilidades são os talentos. E isso é obviamente um recurso, um recurso de natureza, um recurso que te é dado ao nascer. Imagina, o que Lionel Messi tem, a capacidade que ele tem de controlar a bola e que ele nasceu com ela, é claro que isso foi aperfeiçoado, trabalhado, desenvolvido, treinado, etc. Mas não há dúvida que há aí uma dimensão de talento bruto que é imensa. Isso é um enorme recurso, é um enorme valor, é uma coisa altamente positiva. é um enorme valor, é uma coisa altamente positiva. E aí você se depara com a questão de viver de acordo com o seu talento ou não. O Messi mesmo, a família dele em Rosário tem uma pequena empresa de contabilidade, despachante, etc., que ele poderia ter ficado ali trabalhando e ele teria, digamos, aberto mão do seu talento de futebolista. Mas, para a nossa sorte, para a sorte do mundo, para a sorte dele, para a sorte de todo mundo, na verdade, ele descobriu o seu talento e ele foi atrás e ele apostou nele e, com isso, o mundo ganhou um grande jogador de futebol. ganhou um grande jogador de futebol. Então, existe a possibilidade de você bancar o seu talento como norte da própria vida. Muita gente não faz isso. E não faz isso por duas razões. A primeira razão é a mais óbvia, passa pela vida sem descobrir qual é o seu talento. Se Messi nunca tivesse tido contato com uma bola de futebol, provavelmente não teria descoberto o seu talento. E se você não descobre qual é o seu talento, há uma ignorância sobre si mesmo. Então, a descoberta do próprio talento é uma questão de autoconhecimento importantíssima. Então, isso é um primeiro passo fundamental para uma vida boa. Uma vida boa no trabalho e fora do trabalho. Que é você saber diagnosticar aquilo em que você se dá bem e também aquilo que você não deve se meter de jeito nenhum, porque não é a tua praia. Muita gente passa pela vida, eu repito, sem fazer essa descoberta. Passa pela vida na ignorância de si mesmo. E há um segundo motivo. Que é a pessoa saber qual é a sua praia, mas não apostar nela. Por quê? Porque a sociedade não remunera de maneira equivalente os talentos. Há talentos aplaudidos, como o de jogador de futebol, um indivíduo altamente talentoso para jogar bola, ele tende a se tornar famoso e rico, e a sociedade com isso está devolvendo em forma de prêmio a aposta nesse talento. Mas você tem muitos outros talentos que são muito menos aplaudidos, muito menos considerados, muito menos importantes. E aí é possível que a pessoa, se dando conta disso, resolva viver por outro caminho. Eu sou muito talentoso para tocar flauta, mas se eu quiser ganhar a vida tocando flauta, eu vou ter que ser o melhor flautista do mundo, porque senão é possível que eu tenha dificuldade de sobrevivência. Eu falei de flautista, mas o meu pai sempre se esforçou para que eu descobrisse qual era a minha praia, até que descobrimos que a minha praia era explicador. Na escola, os colegas me pediam para explicar a matéria antes da prova, e então meu pai concluiu que eu não tinha talento para absolutamente nada, eu era ruim em tudo, a não ser a tal da explicação para os colegas da matéria que eles não tinham entendido. E, aparentemente, os colegas gostavam dessa explicação, apreciavam essa explicação, e, portanto, curtindo essa explicação, chegamos à conclusão que o meu talento era o talento de explicador. Então, eu banquei esse talento, apostei nesse talento. Meu pai mesmo disse que eu não tinha plano B, que era melhor eu apostar nisso, que eu não tinha plano B. E eu passei, eu vou completar 60 anos de vida, e nos últimos 40, pelo menos, eu me dediquei à explicação. Então, você tem aí um outro imenso valor da vida que é o seu talento, apostar no seu talento e isso é muito bacana, é muito significativo e é uma possibilidade que você tem. Você vai ter mais chance de se dar bem apostando naquilo que você faz melhor do que se você apostar naquilo para o que você não tem talento nenhum, certo? Como é, aliás, óbvio e fácil de entender. Há um terceiro valor agora, e aqui a gente começa a entrar num campo mais sensível e mais, digamos, próximo aqui ao interesse de todos, que é não só descobrir qual é a sua praia, mas adquirir o hábito de tirar de si o máximo de perfeição possível. Isso será mais fácil se você viver de acordo com o seu talento, porque você vai estar trabalhando com o que você faz de melhor, mas você adquire o hábito de fazer sempre o mais perfeito possível, o mais perfeitamente possível, fazer bem aquilo que se faz. Os gregos chamavam de virtude, fazer bem aquilo que se faz, mas nós chamamos de excelência. A excelência é o hábito, segundo a Sábado, é o hábito de fazer da melhor maneira possível aquilo que é o seu fazer. o seu fazer. Então, existe aqui uma possibilidade de vida que é a busca permanente e habitual da excelência e da própria perfeição. Nos limites, claro, que são óbvios, os limites da nossa natureza, do nosso talento, das nossas possibilidades, da nossa competência, é dar o máximo de si, o máximo possível. Isso é a excelência. Então, um professor excelente é o professor que dá a melhor aula que consegue de segunda a sábado. É um hábito. E quando eu digo que é um hábito, quer dizer, ele não precisa nem pensar muito para fazer isso. Ele não precisa nem pensar muito para dar o melhor de si. Nesse momento, você pode levantar a mão e perguntar, esse negócio da excelência é muito bom para quem, digamos, explora o nosso trabalho, nos emprega, nos dá trabalho, porque esse vai ganhar dinheiro em cima da nossa excelência. É fato, acontecerá mesmo. E eu diria, não vejo nenhum problema que isso aconteça. Mas não é disso que eu estou falando. O que eu estou falando é que a busca da excelência é um valor para quem vive. É um valor para quem busca a própria excelência. Porque na hora que você dá o melhor de si, você alcança uma satisfação. A excelência corresponde a uma satisfação. A satisfação de ter feito o melhor. E essa satisfação de ter feito o melhor, ela não é diretamente ligada à rentabilidade, ao ganho, ao lucro, ao enriquecimento, à prosperidade. Não. Ela é simplesmente a satisfação de ter feito o melhor. Quando essa aula terminar, quando essa palestra terminar, eu não tenho outro caminho senão fazer uma avaliação de mim mesmo, uma avaliação do meu trabalho. Porque ninguém entende melhor o meu trabalho do que eu, ou seja, ninguém conhece melhor as minhas possibilidades do que eu, até porque só eu, na minha vida, assisti todas as minhas aulas. Eu sempre estou onde eu estou. Então, nesse sentido, eu sei até onde eu posso chegar. Portanto, eu sempre terei o melhor avaliador de mim mesmo. E se eu chegar à conclusão que eu dei uma excelente palestra, eu vou ter uma satisfação que decorre dessa excelência. E é dessa satisfação que eu estou falando. É preciso trabalhar lá, é preciso educar-se para isso, para não aceitar a mediocridade, não aceitar o apequenamento, não aceitar fazer menos do que é possível, não aceitar fazer aquém das suas possibilidades. E isso não é, eu repito, por conta do enriquecimento de uns ou de outros, não, é por conta de uma satisfação que advém de uma autoestima, que advém de uma espécie de alegria causada por si mesmo. Uma alegria que decorre da observação de si mesmo, da avaliação de si mesmo. E isso te deixa com a alma lavada, como se diz. Te deixa bem, te deixa feliz. Esse é um outro grande valor da vida, que é o valor da excelência. Então, veja, para a gente não se perder, falamos dos prazeres do corpo e do espírito, falamos dos talentos e falamos da excelência, da busca da excelência. Eu queria, então, apresentar agora um quarto grande valor para a vida, fundamental para a vida, que é a nossa liberdade. Exatamente do que eu estou falando. É claro que a nossa liberdade não é absoluta, porque o pequeno príncipe vivia sozinho no seu planeta e podia fazer tudo de porta aberta, aliás, não precisava nem de porta, não precisava nem de casa, não tem de quem se proteger e não tem a quem ofender. Ele mora sozinho, a liberdade é absoluta. Nós vivemos com 8 bilhões de pessoas no mesmo planeta. Então, qualquer espirro afeta, qualquer espirro atrapalha, qualquer espirro causa tristeza. Qualquer movimento equivocado prejudica. Então, a nossa liberdade é circunscrita, ela é limitada, mas ela existe. Então, a cada passo, a vida poderia ser diferente. A cada passo, temos 360 graus de caminhos possíveis a percorrer. E a cada passo, escolhemos um caminho em detrimento de todos os outros. Depois de três passos já são infinitas as possibilidades preteridas. Então, nesse sentido, você deve imaginar o quanto nos tornamos responsáveis pelas nossas escolhas. Responsáveis por aquilo que nos acontece. E a nossa responsabilidade, ela decorre do quê? Ela decorre de termos podido fazer diferentemente. Então, para você me entender, um gato, ele vive como gato. Se você já viu um gato, ele é gato, vive como gato. Eu tenho um gato em casa chamado Epaminondas e pelo fato dele ser gato, ele vive como gato. E ele não tem liberdade nenhuma para latir. Ele não tem liberdade nenhuma para ser afetuoso mais do que um gato pode ser. Ele não tem liberdade nenhuma para dormir menos do que um gato dorme normalmente. O gato é escravo da sua gatitude. O gato, por ser gato, tem que viver como gato. Nós não somos assim. Em outras palavras, a nossa vida pode ser muito diferente do que nós escolhemos para ela. E é por isso que se o gato não é responsável por viver como gato, nós somos responsáveis pela nossa própria vida. E por quê? Porque, evidentemente, ela pode ser sempre infinitamente diferente. A nossa responsabilidade, ela não é só em relação a nós mesmos, em relação a nossa vida boa, em relação a nossa felicidade. Porque, como eu disse, como vivemos com muito mais gente no mundo, as nossas ações, além de nos trazerem consequências, produzem consequências para todo mundo. A gente afeta os outros o tempo inteiro. Eu estou falando aqui com você e você, se estiver considerando o que eu estou falando, se estiver prestando atenção no que eu estou falando, o que eu estou falando está interagindo com o teu repertório. Você está carabinholando em cima do que eu estou falando. O que eu estou falando está produzindo efeitos em você. Ora, se eu, ao agir, ao trabalhar, ao explicar, eu produzo efeitos e transformo uma pessoa, eu sou responsável por essa transformação. Eu sou responsável por aquilo que você vier a pensar em função do que eu disse. Eu sou responsável por aquilo que é pela sua formação ao longo desse nosso encontro. Eu sou responsável pelo seu bom pensamento em função das ideias que eu estou apresentando. Então, existe uma responsabilidade imensa que não é só em relação ao próprio desempenho, mas em relação ao que acontece no mundo a partir do que você faz. As pessoas adquirem importância na vida social, importância na vida social, sobretudo porque as pessoas ignoram quase tudo sobre quase tudo. E elas, portanto, são dependentes umas das outras. Eu não entendo nada de odontologia, eu não entendo nada de engenharia civil, eu não entendo nada de alfaiataria e costura, eu não entendo nada de informática, eu não entendo nada de medicina gástrica, eu não entendo nada de, sei lá, eletricidade que ilumina aqui esse meu espaço, eu não entendo nada. que ilumina aqui esse meu espaço. Eu não entendo nada. Então, veja, tudo aquilo que envolve a minha vida hoje conta com a minha total ignorância. Então, eu preciso das pessoas. As pessoas devem agir para me ajudar, devem agir para me beneficiar. Elas são responsáveis por isso. Eu confio nelas e estou, digamos, à mercê delas para poder viver bem. Você imagina que, por exemplo, nós estamos, eu hoje estou nesse momento em Portugal, e nesse momento eu estou falando com você que está longe de mim, e tudo isso é possível porque há um monte de recursos técnicos que foram implementados por pessoas para que isso fosse possível, e você entende disso melhor do que eu. Há uma responsabilidade enorme, porque o meu trabalho depende disso, o meu trabalho depende disso aqui dar certo. Quem veio aqui montar a internet, disponibilizar a internet, colocar a internet a meu serviço, para que essa comunicação fosse possível, essa pessoa é responsável pelo sucesso ou fracasso do meu trabalho. Eu confiei nela, porque ela tem um saber, uma expertise, que não é o meu. Eu dependo dela para que o meu trabalho funcione e vice-versa, talvez, em algum momento. Todos nós dependemos uns dos outros. Eu chamei aqui um cortineiro para colocar uma cortina aqui, porque eu peguei essa casa que não tinha nada, e, bom, aí eu escolhi uma cortina. E quando ele veio instalar, ele me reconheceu, porque os portugueses gostam muito da internet brasileira e me acompanham, acompanham meus colegas. Puxa, o senhor é o professor Clóvis e tal? Aí ele olhou a janela, viu a cortina que eu tinha escolhido, olhou do lado de fora e falou, viu professor, o senhor entende demais de coisas da vida, mas de cortina o senhor não entende absolutamente nada. O senhor, eu acho que escolheu a última cortina que eu escolheria para essa janela. Eu fiquei perplexo, assim, meio sem saber o que dizer. Eu falei, o que você sugere? Ele sugeriu uma outra. Eu, então, sabe como é como a gente é escolado, imaginei que ele tivesse sugeriu custava menos da metade da cortina que eu tinha escolhido. Então eu falei, pô, mas você vem até aqui na expectativa de ganhar X. E aí você mesmo decide que o que eu fiz não era bom. E você escolhe para mim. E por causa da sua escolha, você ganha menos da metade do que ia ganhar? Como que é isso, né? Eu perguntei para ele. Aí ele olhou para mim e falou, do mesmo jeito que eu espero que o médico não me opere se eu não precisar ser operado, do mesmo jeito que o dentista não arranque o meu dente e possa tratá-lo, do mesmo jeito que eu espero que as pessoas não se aproveitem da minha ignorância em tudo, eu na hora que eu vendo cortina, eu não me aproveito da ignorância de ninguém no ramo da cortina, porque eu faço aquilo que eu gostaria que fizessem comigo. E foi um tapa na minha cara, assim, bem dado, porque você imagina que eu lido com ética há 30 anos e mais ou menos o que ele falou eu já dei de exemplo em aulas milhares de vezes. Mas eu precisei ouvir de alguém num contexto que não é o contexto da escola, que não é o contexto da universidade, é o contexto da vida, que ele não precisava ganhar em cima de mim indevidamente. Porque se eu tinha confiado no saber dele sobre cortinas, então ele tinha que honrar essa confiança e tinha que me indicar a melhor cortina, mesmo que ela fosse muito mais barata. Uma cortina mais adequada. Professor, essa cortina que o senhor escolheu com o sol que bate aí na sua janela, em seis meses ela estaria destruída. O senhor precisa de alguma coisa menos delicada, menos sofisticada e mais rústica. E, portanto, mais barata. E é isso que eu vou instalar para o senhor aqui, agora mesmo. Então, veja, esse senso de responsabilidade decorre da liberdade que temos de enganar, mas não enganamos de ludibriar, mas não ludibriamos de trapacear, mas não trapaceamos de ofender, mas não ofendemos podia ser diferente? podia, mas eu não faço e não faço por quê? porque eu não faço eu não quero isso para mim. A responsabilidade moral é essa. Não precisa ter ninguém olhando. Não precisa ter ninguém vigiando. Não precisa ter ninguém produzindo medo. É você mesmo. Por conta de quem você é, é você mesmo que não aceita agir de maneira indevida, agir de maneira desonesta, agir de maneira pequena. que há uma imensa responsabilidade nas relações. Todos nós somos muito mais ignorantes do que sábios. O indivíduo que é entendido num segmento costuma ser ignorante em quase todos os outros segmentos. E é por isso que a nossa dependência da honestidade do outro é muito grande. E é por isso que uma sociedade justa é condição de uma vida boa. Porque se você é sistematicamente enganado, se você é sistematicamente enrolado, se você é sistematicamente tratado a menor, se a pessoa não dedica a você o que ela deveria ter dedicado, então, puxa vida, já imaginou, né? Você vai no dentista, ele te engana, você vai no médico, ele te engana. Você vai no advogado, ele te engana. Você vai votar e o teu candidato eleito te engana outro não te engane. Só que você é o outro do outro. Sendo assim, é preciso que você não o engane também. A responsabilidade que temos pelos efeitos que a nossa liberdade permite produzir no mundo, torna tudo isso absolutamente fantástico e sensacional. Não há nada que você faça que é irrelevante. Por mais que você, na tua rotina, já não veja mais tanta graça ou tanta importância, para mim, para mim é muito importante. O cara veio aqui instalar a internet, trabalhos como esse ele deve fazer dez por dia. Mas para mim o que ele estava fazendo era muito importante. E eu perguntava para ele, mas não vai dar xavô? Ela é confiável essa internet? Pode acreditar, né? Claro, no mundo tudo pode acontecer, tá? Mas não há garantias absolutas. Mas essa internet que eu estou pondo aqui é amplamente suficiente para dar conta do que você precisa e eu posso te garantir isso. Então eu estou confiando. Eu estou confiando que você está me ouvindo. Eu estou confiando que você está me vendo. Eu estou confiando que você está podendo degustar o que eu estou te ensinando. E eu tenho responsabilidade por isso. Assim como ele tem responsabilidade comigo. Assim como o professor dele teve responsabilidade por isso. Assim como ele tem responsabilidade comigo. Assim como o professor dele teve responsabilidade com ele. Assim como o fabricante do equipamento que ele instalou tem responsabilidade comigo e com ele. E assim, isso aqui é uma rede de liberdades e responsabilidades. Aonde, claro, se todo mundo sacaneia todo mundo a vida de todo mundo é péssima agora se todo mundo faz o máximo que pode por todo mundo, a vida de todo mundo é ótima ou pelo menos ela é a melhor possível ok? então, só para você não se perder a gente falou de prazer a gente falou se perder, a gente falou de prazer, a gente falou de talento, a gente falou de excelência e a gente falou de responsabilidade. Eu queria trazer um quinto valor da vida. Esse quinto valor da vida é o valor de servir. É o valor de servir. vida é o valor de servir. É possível que você, na hora de viver, se preocupe com o outro. É possível que eu esteja aqui genuinamente concernido pela sua lucidez, procurando melhorar a sua lucidez, o seu entendimento. E é possível que ao longo de 30 anos na universidade eu tenha lutado pela lucidez do meu aluno. Isso é um valor. É a possibilidade que temos de servir o outro. Nesse momento você olha e diz, se você serve o outro, o valor é para o outro. Aí é que está. De fato, o outro servido por você e bem servido por você, o outro tem um bom momento. por você, o outro tem um bom momento. Mas eu não estou falando do benefício para o outro. Eu estou falando da tua vida, da vida daquele que serve. E eu estou propondo a você que a possibilidade de servir dignifica a tua vida, confere valor à tua vida, eleva espiritualmente a tua vida. Essa é a grande lição de Jesus de Nazaré. Jesus de Nazaré que é Deus para muitos de nós e um grande pensador para todos nós. O grande valor da vida, diz Jesus, é servir. É o HP. É você poder proporcionar a alguém alguma coisa que sem você esse alguém não teria tido. É você tirar um sorriso que só você poderia ter tirado. Uma alegria que só você poderia ter causado. uma alegria que só você poderia ter causado, uma felicidade que só você poderia ter produzido, só você, só você, naquele momento, naquele lugar. E isso é um imenso valor para quem recebe e para quem proporciona. E não se trata de oferecer na expectativa de uma contrapartida. Não se trata de oferecer na expectativa de que haja boa vontade com você. Não se trata de oferecer na expectativa de gratidão ou retorno. Não. O valor está no oferecimento. E não em nenhuma contrapartida esperada. O valor está na possibilidade de oferecer mesmo que não haja gratidão nenhuma. Porque existe essa questão, a vida é valiosa na medida em que superamos a nossa mesquinharia, superamos o nosso egoísmo, superamos a nossa perspectiva de animalesca, de querer sempre se dar bem, de buscar sempre coisas para nós. Então existe a possibilidade de uma superação da nossa mesquinharia. E essa superação é muito bem-vinda. É muito bacana quando alguém melhora porque você existe. Hoje mesmo, eu como aqui perto. Sabe desses lugares que você come o dia a dia? Tem que ser razoável e barato. Então, tem um lugar aqui do lado chamado Lar dos Caminhoneiros. Um nome meio restritivo a uma categoria profissional e tal. A comida é ótima. O ambiente é descontraído e é muito barato. Por caminhoneiros e por muita gente. E aí, bom, o certo é que eu estava lá comendo e apareceu um rapaz que não tinha a menor pinta de caminhoneiro, mas para merdoca franzino. Desculpa perguntar, eu estou esperando o senhor terminar, Não queria lhe interromper. O senhor é o professor Clóvis? Sou um rapaz português mesmo. Sou eu mesmo. Então, eu acho que o senhor ouve isso sempre, mas eu queria lhe dizer que, durante a pandemia, eu o escutava e eu passei por muitas dificuldades eu perdi muita gente na família e foi muito devastador pra mim e eu queria dizer que as coisas que o senhor falava elas me ajudaram muito elas me ajudam muito até hoje então eu queria que o senhor soubesse disso então eu, claro eu agradeci, eu saldei, eu fiquei feliz. Mas eu fiquei feliz porque é muito legal quando alguém sofre menos porque você fez alguma coisa. E isso, a filosofia que eu faço pode ajudar, mas um saber técnico. E veja, você que está me ouvindo e me vendo, se esse português que eu nunca soube da existência aqui em Portugal me escutava e me via eu falando do meu quarto em São Paulo é graças a uma rede de profissionais de alta tecnologia que possibilita isso. Se esse rapaz sofreu menos e chorou menos porque eu disse coisas, todos aqueles que viabilizaram a mensagem chegar de onde eu estava até onde ele estava, tornaram isso possível e, portanto, participaram tanto quanto eu desse gesto. E aí você descobre uma quando você vive para ganhar mais dinheiro, você luta para encher um saco sem fundo. Porque quando você tem 20, 20 não dá conta, é preciso ter 40. Quando você tem 40, 40 não dão conta e você precisa ter 80. E depois você precisa ter 160 e depois se você tiver 3 mil não dá também. E aí você percebe que não importa o quanto você venha a ter, sempre haverá falta. sempre haverá falta. Vincular a própria felicidade ao acúmulo de recursos materiais é esperar uma satisfação plena que não virá, porque esse saco aí não se deixa encher. Porém, na hora que você vincula não se deixa encher. Porém, na hora que você vincula a sua felicidade a ter proporcionado a alguém alguma coisa de positivo, esse saco aí tem fundo e o gesto traz plenitude. Uma satisfação imensa. Uma satisfação que é a minha hoje. Uma satisfação de saber que o meu trabalho pôde alcançar pessoas longe de mim, cuja identidade eu ignoro, cujo problema eu ignoro, mas que pelo fato de eu ter dito o que eu disse, puderam viver um pouco melhor. Temos, portanto, uma responsabilidade para com as pessoas que estão aqui conosco, ao nosso lado, mas temos uma responsabilidade por todas as pessoas que serão beneficiadas indiretamente com o nosso trabalho, cuja identidade não conhecemos, cuja identidade ignoramos, cuja identidade talvez sequer venhamos a conhecer, mas que confiam em nós. E esse rapaz chamado João, hoje, me disse, eu só torço para que o senhor viva muito, porque eu tenho certeza que enquanto o senhor estiver vivo, alguém vai estar se beneficiando com isso. com isso. Bom, meus amigos, nesse momento em que a gente falou de prazer, a gente falou de talento, a gente falou de excelência, a gente falou de liberdade e responsabilidade, a gente falou de servir, estar a serviço de. Nesse momento, talvez você levante a mão e pergunte, e a tal da felicidade? E eu te diria, a felicidade é um atributo da vida, só pode estar onde a vida está. E a vida está agora, sempre. A vida está agora. Se não houver agora, não há vida. A lembrança é do passado, mas ela acontece agora. O futuro acontece amanhã. Você até pensa nele, mas pensa agora. O passado e o futuro acontecem agora. E a felicidade é um atributo do agora. E o agora é feliz quando você gostaria que esse agora de agora durasse. É o desejo de eternidade do agora. Os meus alunos, quando chegavam em dezembro, vinham me perguntar, o senhor vai dar aula para nós no ano que vem? Não vou. Por quê? Ah, a gente queria ter aula para o senhor no ano que vem. É o desejo que o agora continue. Sintoma de uma vida feliz. Quando, no programa do show, a entrevista acabava e era boa, a palestra fazia, a palestra, a audiência fazia... Lamentando o fim da entrevista. Querendo a continuidade da entrevista. A felicidade é o desejo da continuidade do agora. E é por isso que eu espero que ao longo desses minutos que passamos juntos E eu espero que ao longo desses minutos que passamos juntos, tenha havido pelo menos por um segundo o desejo da continuidade do agora. E que você tenha pensado em ler o que eu escrevo, ouvir o que eu falo, me ver na internet, não sei o que, encontrar outras coisas. Desejar mais daquilo. É sintoma de uma vida feliz. O contrário de ficar olhando no relógio e ter a certeza que daquilo nunca mais. Bom, meus amigos, era um pouco esse o conteúdo do nosso encontro. Eu queria agradecer demais o convite, a amabilidade de vocês, generosidade. Todos os encontros prévios que permitiram a identificação do tema, das preocupações, daquilo que efetivamente se esperava que eu dissesse. E eu sempre disse que procuraria inserir essas preocupações dentro de uma narrativa que fosse que fizesse sentido para mim e eu espero ter conseguido fazer isso pelo menos em grande medida e insisto que estou sempre à disposição. Muito obrigado pela sua atenção e pelo carinho. Que tenhamos todos um ótimo ano. Muito obrigado e até a próxima. Valeu! Aê, pessoal! Então tivemos uma palestra fantástica do professor Clóvis professor, muito obrigado eu acho que houve momentos que geram reflexões para todos nós, que a gente trabalha e às vezes a gente não tem noção do que a gente faz acabar refletindo na vida de todo mundo. O nível de responsabilidade, de seriedade, o profissionalismo que todo mundo tem. Professor Clóvis, muito obrigado. Espero contar aí outras vezes, em outras situações, aqui com a gente. Um grande abraço aí e um mega prazer. Valeu, Wesley. Até a próxima. Até mais. Abraço. Tchau, t