Deixa eu te contar uma história bem pessoal que se relaciona com essa questão de se comunicar bem ou não. Que foi exatamente o ponto de virada, o ponto de inflexão na minha jornada, onde eu comecei a perceber que eu precisava estudar um pouco mais. Eu trabalhava como programadora e teve um determinado momento onde eu aceitei o desafio para trabalhar como estrategista em tecnologia. Nesse momento eu acreditei que o meu maior desafio seria tecnológico. Seria ter que tomar decisões muito sérias, muito importantes, e que iriam acarretar em consequências. Isso, de fato, foi um desafio? Sem dúvida foi. Eu era a única pessoa com base tecnológica dentro de um contexto onde as pessoas até mesmo entendiam pouco a respeito de tecnologia quando eu digo a respeito de profundidade em tecnologia, entre construir tecnologia, tá? E aí eu fui então trabalhar naquele local eu tenho que ser muito sincera que eu acreditava que eu me comunicava muito bem, por quê? Porque eu não tinha timidez porque eu tinha uma voz bem trabalhada, porque eu já tinha feito aula de canto, então eu conseguia projetar a minha voz de uma forma interessante, eu não tinha um problema de dicção, eu me preocupava com a gramática, certo? Só que quando eu cheguei lá, o meu maior desafio foi em termos de comunicação. O meu maior desafio foi em termos de comunicação. Em vários motivos e vários contextos, cenários, que eu poderia exemplificar aqui pra vocês. Mas eu vou compartilhar dois. O primeiro, que eu já mencionei em alguma das aulas, eu me isolava pra trabalhar. E esse meu comportamento de isolamento, ele comunicava algo pras pessoas que não era bem o que eu queria comunicar. Porque ao me isolar, eu simplesmente estava buscando ficar mais tranquila, mais quietinha, porque era o meu jeito de trabalhar. Mas para as pessoas eu estava comunicando um nível de arrogância, um nível de não gosto de vocês, prefiro trabalhar sozinha. Então eu não estava conseguindo comunicar, eu não avisava as pessoas, eu não tinha clareza de que eu estava de fato comunicando algo muito incorreto a respeito de quem eu era. Esse é o primeiro exemplo. O segundo exemplo é que eu só falava tecnicas. Eu utilizava diversos termos técnicos para falar com pessoas não técnicas. Eu utilizava termos que na cabeça delas não tinha absolutamente significado nenhum. E querendo ou não, não é um privilégio da área de programação, tá? Mas se você tentar falar com um advogado ou uma advogada que também não se preocupa com isso, com explicar os termos ou simplificar, usar termos mais simples, você vai passar por maus apuros, precisando da ajuda de um profissional de direito. Médicos também podem se utilizar de termos super mega ultra específicos da área deles para poder explicar que você está com alguma doença, ou com algum problema, ou com algum desconforto, utilizando termos técnicos. Ou seja, não é um privilégio da área de tecnologia. Mas eu percebo que é algo que a gente erra com bastante frequência. E eu não fui diferente, não. Comigo não foi diferente. Eu utilizava muitos termos técnicos com pessoas não técnicas. O que começou a acontecer? Isso começou a gerar na cabeça das pessoas mais significados errados. Eu não estava conseguindo tornar comum a minha intenção. Eu estava num ambiente onde as pessoas não conheciam aqueles termos técnicos e eu só utilizava eles. E não estava me importando tanto com o feedback corporal que elas estavam tendo ali, de, olha, não estou entendendo. Só que elas não verbalizavam que não estavam entendendo porque elas se sentiam inferiorizadas. O que começou a acontecer? As pessoas começaram a evitar falar comigo. Por quê? Porque eu não vou entender o que a Thais está dizendo, porque a Thais é inteligente demais. E é bem comum as pessoas quererem utilizar termos complexos, termos robustos, termos técnicos para parecer mais inteligente. Só que, infelizmente, ou felizmente, né? Existem diversos estudos científicos que comprovam que, na verdade, isso não ajuda. Isso gera uma imagem contrária. Isso gera desconexão com as pessoas que estão ouvindo. Então, se eu utilizo termos técnicos, termos complexos, que as pessoas não conseguirão compreender, eu provavelmente estarei passando uma impressão muito errada a respeito de quem eu sou, e também estarei gerando um problema, uma falha na comunicação porque eu não estarei conseguindo comunicar nada para outra pessoa. Tudo bem? Faz sentido para você? Então, eu vivi esse cenário, vivi esse contexto e apesar de achar que eu me comunicava muito bem, eu comecei a perceber que na realidade eu não me comunicava bem. Eu não estava conseguindo passar o que eu gostaria de passar para as outras pessoas. Porque eu não era aquela pessoa que eles estavam descrevendo. Nunca fui. Mas a minha comunicação estava desgastando a minha imagem. Olha só. E quando eu percebi isso, eu tive que tomar uma decisão. Ou eu volto para o meu ambiente tecnológico, onde tem outros programadores e programadoras, onde eu conseguirei dialogar com eles com bastante tranquilidade e facilidade, porque estamos utilizando termos técnicos. Ou eu aprendo a me comunicar de verdade. Ou eu aprendo a me comunicar com qualquer profissional de qualquer área? Ou eu consigo, ou eu aprendo a simplificar termos e conceitos complexos? E entre essas duas opções, você deve imaginar qual delas eu escolhi, né? Eu escolhi aprender a me comunicar. Eu escolhi aprender a me comunicar. Então, o primeiro ponto é que eu descobri que se comunicar bem estava muito longe daquilo que eu imaginava que era. Em segundo lugar, eu precisei tomar uma decisão. E essa decisão foi, então eu preciso aprender a me comunicar. E terceiro lugar, eu comecei a perceber que o meu processo de aprendizado de comunicação, ele passaria por um processo de ser mais observadora em relação aos feedbacks, principalmente os feedbacks não falados que as pessoas estavam me entregando. Então, as pessoas tinham uma certa reação quando eu me comunicava com elas. Então as pessoas tinham uma certa reação quando eu me comunicava com elas. E essa reação é algo que poderia me nortear, poderia me ajudar a ter uma melhoria contínua durante o meu diálogo. Então, se eu estou conversando aqui com você, e aí eu sempre pergunto, tudo bem? Está fazendo sentido? Quando nós estamos ao vivo, presencialmente ou online, eu sempre vou acompanhando as respostas. Por quê? Porque eu vou vendo se realmente está fazendo sentido, se está tudo bem, se não está tudo bem, se está dando para entender, se não está dando para entender. Porque esses feedbacks, principalmente no presencial, a gente vai vendo a carinha das pessoas, né? Eu lembro quando eu dava aula presencial pela Escola Con, e a gente ali numa sala com 30 pessoas, ou umas 20 pessoas, eu olhava assim, eu falava, tá dando pra entender as pessoas? Aí eu pegava e explicava novamente, até ver uma reação corporal, uma expressão facial das pessoas que fosse satisfatória, em que de fato elas estivessem compreendendo. Porque muitas das vezes as pessoas não vão dizer que não estão entendendo, mas elas vão emitir sinais de que não estão entendendo. Então eu precisei ser mais observadora nesse momento, eu precisei ouvir mais do que falar, eu precisei observar mais e coletar esses feedbacks em tempo real, no começo não era tão simples pra mim, pra poder ajustar a minha comunicação enquanto eu conversava com as pessoas. Tudo bem? Então, essa foi a minha trajetória. Será que você tem alguma história em que você, naquele momento, conseguiu perceber, talvez agora você tenha percebido que a sua comunicação pode ser melhorada, ou teve alguma situação ao longo da sua vida similar a que eu passei, ou alguma situação que você percebeu que realmente, olha, as pessoas não conseguiram me compreender, eu falei de maneira muito enrolada, ou eu estava muito nervoso, muito nervosa, esqueci tudo que eu ia falar. Tudo isso compõe a nossa comunicação e atrapalha a gente conseguir ser eficaz e assertivo naquilo que nós temos como objetivo, que é passar a comunicação que está na nossa cabeça para a cabecinha, a cabeça das pessoas que estão nos ouvindo. E aí, consegui trazer um pouco mais de clareza para você sobre o que é se comunicar e se você se comunica bem?