Quanto a sua imagem e a sua carreira são dependentes da empresa que você trabalha? Arthur Bender, que é o escritor do livro Personal Branding, ele criou um termo que é a ilusão do cartão de visitas. E ali ele traz várias reflexões a respeito do quanto nós nos vinculamos a cargos, a funções e a empresas que podem sim nos abrir portas. Eu trabalhei em empresas que, pelo simples fato de dizer trabalho em tal local, eu já conseguia acesso a pessoas, a coisas, benefícios que eu não teria se eu não estivesse trabalhando naquela empresa. Agora, como que eu posso fazer para que ao chegar, talvez nos mesmos lugares, ou em até outros lugares que são extremamente interessantes, ou tentar falar com algumas pessoas e ter acesso a essas pessoas, pura e simplesmente por dizer que eu sou Thaisa Candela. É uma reflexão interessante, né? Essa aula é justamente para nos provocar sobre o quanto a nossa marca possui valor em si mesma. Sem dúvida, muitas das vezes nós vamos utilizar o nosso currículo para poder compartilhar e mostrar para as pessoas que nós temos uma trajetória, que nós temos experiência, que nós fomos contratados por empresas que não seria qualquer pessoa que seria contratada naquela empresa. Sem dúvida, naturalmente, nós vamos utilizar essas informações para nos abrir portas. Mas o quanto a minha imagem, a qualidade do meu trabalho e a reputação que eu construí abre portas por si mesma. E aí eu pergunto pra você, nós somos substituíveis? Sim, todos somos substituíveis? Sim, todos somos substituíveis. Mas ao mesmo tempo, eu gosto de pensar que algumas pessoas são mais difíceis de substituir. Claro que tem aquelas pessoas que fazem de tudo para ser insubstituível, né? Mas por caminhos ruins, como por exemplo, guardar conhecimento para si mesmo, centralizar as coisas em si mesmo, e não é desse tipo de pessoa que eu estou falando, tá? Mas de pessoas que, sim, fazem um excelente trabalho, compartilham conhecimento, ajudam na gestão do conhecimento, não centralizam em si mesmas, né? Elas não tornam a sua presença insubstituível pelo motivo ruim, mas pelo motivo bom, de que, nossa, trabalhar com essa pessoa é muito bom. Nossa, a qualidade, a excelência do trabalho dessa pessoa vai ser muito difícil encontrar alguém que faça desta forma, com essa qualidade. Então, o quanto hoje, refletindo assim, conjecturando, o quanto hoje eu e você somos substituíveis na empresa que nós trabalhamos. Se por um acaso hoje decidíssemos pedir a conta, e não, não estou te incentivando a isso, apenas refletindo sobre a sua marca, porque mais importante do que o que os outros pensam a seu respeito, precisamos dar um passo atrás e entender o que eu penso a meu respeito. Será que na minha cabeça eu sou a empresa que eu trabalho? Será que na minha cabeça eu sou a função e o cargo que eu ocupo? Ou eu entendo que eu tenho valor por mim mesma? Que a qualidade do meu trabalho e a reputação que eu construí ou que eu quero construir vai abrir portas por si mesma, pura e simplesmente por aquilo que eu construí, por aquilo que eu sou. A gente precisa buscar, sem dúvida, seremos muitas das vezes taxados, lembrados e até adicionados como contato no celular com o sobrenome sendo o nome da empresa que nós trabalhamos. Isso é extremamente natural. Mas o quanto nós nos entendemos como tendo o sobrenome o nome da nossa empresa? O quanto nós entendemos que nós temos valor por nós mesmos, independente de onde nós estamos trabalhando, independente do cartão de visita que nós carregamos. Então, ok, todos somos substituíveis, mas algumas pessoas são mais difíceis de substituir. E não é pura e simplesmente porque aquela pessoa é legal, mas porque sem dúvida ela conseguiu construir na cabeça das pessoas que trabalham com ela uma ideia, uma imagem e uma necessidade sanada que essa pessoa consegue fazer com qualidade tá fazendo sentido pra você? então a principal reflexão dessa aula é o quanto você está no banco do passageiro da sua carreira e da sua marca ou o quanto você está no banco do motorista o quanto você depende do cargo que você está, o quanto você depende da existência da empresa que você trabalha, ou o quanto você consegue hoje, dentro da empresa que você está, o quanto você consegue usufruir, sim, dos benefícios de fazer parte dela, mas você sabe que se em algum momento você decidir sair ou você for desligado desse cargo, dessa empresa, a sua imagem, a sua marca, a sua reputação, ela continua existindo. A admiração que as pessoas têm por você. E eu sei que eu estou falando de algo que parece até ruim parar para pensar, né? Nossa, se eu for demitido... Infelizmente, nesses últimos anos, a gente teve uma quantidade de demissões em massa, por exemplo, uma diminuição da folha de pagamento, o desejo das empresas por mais eficiência e menos mão de obra, menos pessoas trabalhando nas empresas, uma diminuição do quadro de funcionário, mas uma busca por maior eficiência. E pessoas muito competentes foram demitidas nessas ondas. Não apenas pessoas que realmente estavam inflando as equipes, mas pessoas muito competentes perderam ali os seus empregos. E apesar desse momento ser um momento muito complexo, eu acho que é importante a gente parar para pensar que o mercado funciona desse jeito. Pessoas são contratadas, pessoas pedem a conta e pessoas são demitidas por qualquer motivo que seja. Seja por uma justa causa, seja porque não está performando como esperado, seja porque houve uma demissão em massa. Então, o mercado acontece dessa forma. Agora, o quanto nós temos consciência a respeito dos benefícios que nós temos por estar trabalhando em uma determinada empresa e o quanto nós, por exemplo, construímos relações que serão capazes de sobreviver após a minha saída de uma determinada empresa. O quanto a admiração que determinadas pessoas têm por mim, ela continuará existindo, mesmo que eu não esteja nessa empresa. Eu tenho amigos que trabalhavam em big techs, como Google, Facebook, entre muitas outras, que foram demitidos nesses últimos anos. E eu vi muitos deles facilmente conseguindo se empregar novamente, porque tinham ali nas suas costas o nome de uma big tech. Eu vi pessoas que ficaram completamente desesperadas porque elas perceberam que elas eram a empresa e que elas nem sabiam como se recolocar. Elas não sabiam nem com quem falar, com qual contato, com qual amizade, elas não sabiam. Elas tinham construído toda a sua carreira pensando na pura existência daquele caminho que ela tinha desenhado dentro daquela empresa. E eu não estou falando que é ruim você pensar em subir, em crescer e construir uma carreira sólida em uma única empresa. Não é um problema, mas nós precisamos pensar nas possibilidades disso não acontecer. E não estou falando também para pensar em plano B. Não, não é isso. Mas o quanto a minha carreira, a construção da minha carreira, ela está voltada para olhar para o profissional e não pura e simplesmente para o cargo que está inserido dentro de uma empresa e de um contexto específico. Essas são algumas reflexões que eu trago para vocês nessa aula e agora a gente começa então, isso é para abrir esse capítulo, onde nós vamos utilizar de ferramentas de mais reflexões, mais provocações, para que a gente possa nos conhecer. Então o objetivo aqui é que de fato a gente consiga entender mais sobre o que a gente pensa a nosso respeito, onde que nós estamos inseridos, qual é o nosso nível de dependências externas ou de terceirizações que nós estamos fazendo em relação à nossa carreira e à nossa marca pessoal. A gente se vê na próxima aula.